Não gosto de contagem de presentes, de ceia, de Roberto Carlos na globo; também não gosto de gente vindo a minha casa fingir de conta que realmente se importa, ou mesmo do momento em que o tal do 'espírito natalino' se manifesta por todos- e vale a pena ressaltar que isso só acontece por alguns minutos no ano todo. Não gosto de canções natalinas, de bebezinho na manjedoura, de reis magos, de estrela brilhante no céu. Não gosto. Eu não gosto do natal. Sério, de verdade!
Honestamente, tenho um enorme pesar em dizer tais palavras. "Eu não gosto do natal", para mim, não soa como a maioria dos rebeldezinhos de internet acha: não quero parecer diferente, nem acompanhar a atual maré de críticos cínicos que vem inundando as redes sociais, tampouco chocar os meus pais (ou qualquer pessoa ao meu redor). Na verdade, eu me sinto como se tivesse traído a mim mesma ao dizer isto.Lembro de uma menininha loura de cabelos cacheados que amava o natal: a comida, o sentimento, o ato de esperar ansiosamente pelos presentes, olhar a mesma árvore com os presentes que papai noel trouxera à noite. Ela gostava muito de tudo o que acontecia antes, durante e depois do natal (menos as músicas- estas ela sempre odiou!). Achava mágico, feliz, parte dela. Os anos passaram, os cabelos desta mesma menininha se alisaram e avermelharam, e ela aparentemente começou a ver as verdades do mundo ao seu redor. Não digo que este seria o principal motivo para odiar o natal- afinal, ainda existem pessoas que sabem de como o natal é hipócrita e ainda gosta dele!- mas também não foi nenhum fator que jogasse a favor do ditocujo, não é verdade? Sendo isso ou não, eu ainda não me sinto bem com o fato de não gostar de uma época que já me rendeu memórias que eu espero que guardarei até os meus meus últimos dias (se o Alzheimer me permitir, claro). Tenho medo que isso me faça perder a criança sonhadora que eu tenho (ou tinha) dentro de mim.
"Não é possível que você odeie tudo no natal", alguém pode pensar ou me perguntar (embora eu ache difícil, já que tem muita gente que gosta de dizer que o odeia, né?). Na verdade, não. É o que ainda mantém a minha esperança de não virar destas vadias cínicas que mudam tudo na vida depois dos 30. Eu simplesmente sempre fui apaixonada pelas luzes. E pisca-piscas, animaiszinhos brilhantes, qualquer coisa com luz ou qualquer decoração natalina (desde que seja bem pagã, ou que mude todos os conceitos normais do natal) , obviamente, sempre me intrigaram e eu sempre senti vontade de sentar e passar horas ali, quieta, olhando. É, talvez eu ainda tenha salvação. Assim espero.
Um feliz natal a todos que gostam ou não dele, e aos que gostam ou não de gostar dele também.